Baile Black Bom: um movimento que há três anos agita a ‘Pequena África’ carioca

Foto: Marcos Lobo

Neste sábado (11), acontece a principal concentração de black music do Centro do Rio de Janeiro, o Baile Black Bom, no Largo São Francisco da Prainha, próximo à Praça Mauá. O evento gratuito, além de trazer o show da banda Consciência Tranquila – que idealiza o Baile -, promove também uma feira de afroempreendedores, com moda, gastronomia e artesanato. Ao som de música negra, passinhos de charme e muita diversão, o evento agita uma juventude engajada e reúne desde 2013 um público consolidado. E, hoje, o grupo que já criou uma cena no Rio promete trazer novidades.

Com um novo formato de show, a banda apresenta um único set de 1h30. “A gente decidiu trazer uma performance voltada não mais à toda black music e, sim, ao Hip Hop contemporâneo”, aponta Alan Camargo, vocalista da banda. Diferentemente do que acontecia nos outros Bailes, o grupo garante trazer sempre um som inesperado. “Queremos que o público se surpreenda a cada vez que vier ao Baile Black Bom. Era legal manter um mesmo repertório, mas queremos apresentar novidade para a nossa galera”, diz ele.

Antes, o show continha dois sets que traçava o caminho da black music,  em uma ordem cronológica. Desde os Jackson Five e Earth, Wind & Fire – é claro! -, passando por Tim Maia, Jair Rodrigues, Lauryn Hill, até chegar a Beyoncé e Bruno Mars, cantores mais modernos. “No antigo formato, a ideia era trazer música clássica negra para a galera nova e apresentar a música atual para os mais velhos”, conta. Nesse novo repertório, o grupo promete fazer o público se surpreender. “Cantar músicas de caras como Tim Maia, Michael Jackson e Jair Rodrigues foi uma honra. A gente se sentiu muito honrado, mas agora queremos tentar algo novo”.

Se você ainda espera ouvir os grandes clássicos, não se preocupe. Eles estão presentes com o DJ Flash, integrante da banda, e com os DJs convidados Jailson da Silva e Juan, que são pai e filho.

O evento

O Baile Black Bom promove não só um show, mas abre um espaço para toda cultura negra. “A ideia era promover algum evento para gente negra, para os que são dos quilombos. Por que a gente não conhece os nossos manos, os nossos heróis?”, questiona Sami Brasil, vocalista e criadora da banda. De acordo com Carrao Beatbox, integrante do grupo, a black music não têm lugar no Rio de Janeiro. Além do Viaduto de Madureira, o templo do Charme na cidade, não existe outro lugar que promova a cultura negra de forma consistente. Por isso, o objetivo do grupo Consciência Tranquila não é só montar uma performance. “Eu saio feliz de casa para fazer o baile porque sei que não é só um evento, é um movimento”, confirma o Beatbox. “A gente estuda, pesquisa a nossa história, monta um show com um repertório específico e fazemos tudo para transmitir a memória da nossa cultura”, esclarece Alan.

Baile Black Bom ainda na Pedra do Sal
Baile Black Bom ainda na Pedra do Sal

E existe lugar melhor para começar esse movimento se não na ‘Pequena África’?  “A Pedra do Sal sempre foi um lugar de resistência e, por toda essa memória histórica que o espaço traz, que o próprio evento também traz, decidimos fazer lá”, explica Sami. Passaram por ali personalidades fortes de resistência, como Tia Ciata, Heitor dos Prazeres e Pixinguinha. “Apesar de ter saído dali, da Pedra do Sal, nós continuamos presentes na herança africana, estamos dentro do circuito. Não vamos sair. A resistência não acabou, não. Ela continua”, afirma.

Novo local

O que antes começou ali, na Pedra do Sal, hoje se expande no Largo da Prainha. O motivo? Superlotação do espaço! “O lugar se tornou apertado, as pessoas não paravam de chegar e a gente começou a se preocupar com isso”, conta Alan. Com cerca de 4 a 5 mil pessoas por evento, a charmosa Pedra do Sal ficou pequena para receber os passinhos do Baile Black Bom.

Baile Black Bom no Largo da Prainha
Baile Black Bom no Largo da Prainha

Nem sempre foi assim. No primeiro evento, em outubro de 2013, o Baile reuniu cerca de apenas mil curiosos. Isso só ocorreu por conta do ensaio de um bloco que acontecia no Largo da Prainha. “As pessoas que estavam lá começaram a ouvir black music e foram ver o que era”, lembra Alan. “Começava a pipocar pessoas e a gente não entendeu nada. De repente, aparecia monte de gente entrando nas ruas em direção a Pedra. Cena de filme”, brinca.

Super Star

Divulgação
Divulgação

Em abril de 2015, a banda Consciência Tranquila participou do programa SuperStar com a música autoral ‘Sente a Vibe’, hoje, com cerca de 34 mil visualizações no YouTube (ouça aqui).  “Depois do programa, a gente já consegue fazer o Baile de uma maneira mais digna e já temos suporte para fazer o evento sem passar o chapéu (pedindo contribuição do público)”, diz o cantor. Apesar de já ter tocado em diversos palcos como o do próprio Superstar, Fundição Progresso, Circo Voador, Museu do Amanhã e outros, eles garantem não sair das ruas: “Depois que um projeto musical experimenta a rua, dificilmente ele vai querer tocar na ‘night’. Rodar em várias praças é uma experiência única. A rua é única e é muito sincera. Ela se identifica com a gente, a gente com ela e isso não tem preço”.

A banda

Consciência Tranquila foi criada em 2002 pelo casal Antônio Consciência e Sami Brasil. E nunca foi apenas uma banda musical. “A gente não se enxerga como banda. Nós somos um movimento. Cultura negra viva”, garante Alan. Com quase 15 de estrada, a banda já passou por lugares como Argentina, Juiz de Fora, Manaus, São Paulo. Sem falar dos Guetos do Rio de Janeiro. Com mais de 10 músicas autorais, o grupo se prepara para o lançamento do single ‘A Lei’, que tem por base a própria lei 10.639 de 9 de janeiro de 2003, que obriga inclusão da temática ‘História e Cultura Afro-Brasileira’ nas escolas públicas. “Queremos lançar esse single em novembro e focar nessa representatividade para saber o porquê dessa lei não estar sendo aplicada”, indaga Sami.

Hoje, a banda é formada por 11 integrantes: Antônio Consciência (voz), Sami Brasil (voz), Alan Camargo (voz e arranjo), Carrao Beatbox (produtor fonográfico e beatbox), Aline Fenny (backing vocal), Luciene Dom (backing vocal), Cosme Motta (backing vocal), Igor Swed (guitarra), Edinho Bala (bateria), Fael Matheus (Baixo) e DJ Flash.

Serviço

O que? Baile Black Bom, com show da banda Consciência Tranquila
Quando? Hoje, sábado, 11 de junho. Sempre no segundo sábado do mês
Que horas? A Feira começa às 18h
Onde? No Largo São Francisco da Prainha, na Zona Portuário do Rio, chamada de ‘Pequena África’
Quanto? O Baile é gratuito
Quem pode ir? Todo mundo, o evento é indicado para crianças e famílias

Mais informações aqui ou no site da banda.

 

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite seu comentário
Por favor, digite seu nome aqui