Auto da Compadecida

Indicada ao Prêmio Shell de Melhor Figurino de 2012, a montagem da Cia Limite 151 reestreia no Teatro Eva Herz

AUTO DA COMPADECIDA - Gláucia Rodrigues e Rafael Canedo - foto: Chico Lima

Sucesso de crítica e público em cartaz há três anos, Auto da Compadecida volta aos palcos cariocas a partir do dia 5 de novembro no Teatro Eva Herz, no Centro. A bem-sucedida montagem da Cia Limite 151 aproveita para festejar os 60 anos do texto mais famoso de Ariano Suassuna. Com um elenco formado por 12 atores, entre eles Gláucia Rodrigues, Edmundo Lippi, Rafael Canedo, Jacqueline Brandão e Janaína Prado, direção de Sidnei Cruz, a peça foi indicada ao Prêmio Shell de Melhor Figurino de 2012.

A peça fala das aventuras de João Grilo, um sertanejo pobre e mentiroso, e Chicó, o mais covarde dos homens. Ambos lutam pelo pão de cada dia e atravessam por vários episódios enganando a todos da pequena cidade em que vivem, até conseguirem através de suas confusões a ira do temido Cangaceiro Severino de Aracaju.

A história serve como pano de fundo para mostrar problemas sérios encontrados no Nordeste brasileiro, como o coronelismo, a pobreza extrema em que algumas pessoas se encontram e várias figuras populares na região, como o cangaceiro. Esta peça projetou Suassuna em todo o país e foi considerada, em 1962 por Sábato Magaldi como “o texto mais popular do moderno teatro brasileiro”.

Gláucia Rodrigues, Luiz Machado e Rafael Canedo - foto: Chico Lima
Gláucia Rodrigues, Luiz Machado e Rafael Canedo – foto: Chico Lima

O espetáculo dirigido por Sidnei Cruz potencializa as linhas matriciais contidas na dramaturgia de Ariano Suassuna. O espaço cênico lembra um picadeiro de teatro de circo, e o jogo de cena dos atores é inspirado nos brincantes dos folguedos populares. As embrulhadas de João Grilo (Gláucia Rodrigues), sempre acompanhado pelo fiel escudeiro Chicó (Rafael Canedo), o levam ao céu para enfrentar o juízo final, onde o diabo faz de tudo para pegá-lo e ele faz de tudo para escapar, para tanto conta com a preciosa colaboração da Compadecida. As peripécias são narradas e pontuadas por palhaços e caretas que aparecem em diversas situações em forma de coro ou jogral. A comicidade popular e irreverente dos autos populares nordestinos e do teatro de mamulengos são as referências para o ritmo, a movimentação e os desenhos coreográficos da encenação. Pequenas arquibancadas móveis, cortinas, figurinos coloridos e rústicos dão o tom carnavalizado de comicidade bruta de feira e praça pública.

Famosa pela montagem de clássicos, a Cia Limite 151 completou 20 anos em 2011 e, dois anos antes levou aos palcos outro texto de Suassuna, O Santo e A Porca, que, além de lhe render sucesso de público e crítica, ganhou vários prêmios. Na ocasião, Gláucia Rodrigues, uma das fundadoras da Cia, foi indicada ao prêmio Shell por sua interpretação da criada Caroba. Desta vez, Gláucia enfrenta um desafio ainda maior. Dar vida a João Grilo, protagonista do espetáculo.  “Eu não ia participar dessa montagem. Fiquei durante dois anos viajando com O Santo e A Porca pelo país afora e confesso que estava pensando em tirar férias quando eles resolveram montar o Auto. Além disso, nenhum dos personagens femininos do espetáculo me estimulava. Foi quando o Edmundo Lippi e o Wagner Campos, que são os outros fundadores da Cia, me perguntaram se eu não toparia fazer o João Grilo. Aí sim, virou desafio. Esse era o combustível que eu estava precisando para voltar ao palco”, conta Gláucia, que já fez outro personagem masculino, Scapino de Molière.   Para o diretor, a ideia de escolher Gláucia para interpretar João Grilo foi uma “sacada” muito feliz dos dois, pois Glaucia já vinha de uma experiência anterior compondo personagens masculinos. “Aliás, grandes atrizes sempre escolhem esse caminho em vários momentos de suas carreiras. Ela, Glaucia, construiu um João Grilo universal – e, ao mesmo tempo, particularíssimo – estruturado em suas ações arquetípicas, revelando o estado físico e a mentalidade de um tipo brasileiro, esperto, malandro, sem caráter, palhaço, pobre, astuto e criativo”, garante Cruz, que já dirigiu a Cia Limite 151 em A Moratória de Jorge Andrade, Os Contos de Canterbury de Geoffrey Chaucer e fez a adaptação do Frankenstein de Mary Shelley.

FICHA TÉCNICA:

Elenco: Gláucia Rodrigues, Rafael Canedo, Edmundo Lippi, Janaína Prado, Jacqueline Brandão, Kakau Barredo, Bruno Ganem, Robson Santos, Arnaldo Marques, Marcio Ricciardi, Diego Braga, André Frazzi e Luiz Machado 

Direção: Sidnei Cruz

Cenário: José Dias

Figurinos: Samuel Abrantes

Iluminação: Aurélio De Simoni

Direção musical: Wagner Campos

Programação visual: João Guedes

Fotos: Guga Melgar

Assessoria de imprensa: Ana Gaio

SERVIÇO:

TEATRO EVA HERZ – Rua Senador Dantas 45 – Centro
TEL: 21 3916 2600
HORÁRIO: DE 3ª A SÁBADO AS 19:00H
INGRESSOS: R$ 20,00
DURAÇÃO:  90 MINUTOS
CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA: LIVRE

TEMPORADA DE 05 de novembro a 19 de dezembro

 

DEIXE UM COMENTÁRIO