A temática espacial é um dos temas mais visados no cinema. Filmes como “2001 – Uma odisséia no espaço” até o mais recente, “Interstellar”, são exemplos nítidos da evolução da ficção científica espacial. “Ascension” é uma minissérie que aborda o assunto de maneira diferente, renovando o ar poluído por algumas produções desastrosas. Transmitida esse ano pelo canal SyFy, responsável pelas icônicas “Firefly” e “Battlestar Galactica”, contando com 6 episódios no total, com aproximadamente 1:20 de duração cada.

 

Em “Ascension” temos a história da nave espacial de mesmo nome, enviada pelo governo americano no ano de 1963 para uma missão que levaria 100 anos, ou seja, os 350 tripulantes originais provavelmente não estariam vivos ao chegarem em seu destino, deixando a missão nas mãos dos seus descendentes. O início da trama começa 51 anos após o lançamento, quando ocorre um assassinato a bordo e todos começam a questionar o verdadeiro propósito da missão.

Ascension - Season 1

Não há como falar do enredo sem estragar a surpresa do telespectador, mas fica nítido que apesar de uma premissa já utilizada em vários filmes e séries, “Ascension” possui elementos originais, com revelações que vão deixar muitas pessoas surpresas e perturbadas. Além da ficção, há uma análise da psicologia humana, fato deixado de lado em outras produções em prol de explosões e efeitos especiais. Como a série se passa em um ambiente fechado, há a sensação iminente de claustrofobia.

Os atores cumprem seu papel, especialmente a talentosa Tricia Helfer, conhecida por interpretar a personagem Number Six, em “Battlestar Galactica”; agora no papel de Viondra, a mulher do capitão, ela novamente mostra que nasceu para fazer esse tipo de papel. O Capitão William (Brian Van Holt), responsável pela nave, merece destaque, assim como o supervisor da missão na Terra, Harris Enzmann (Gil Bellows).

Ascension - Season 1

Sua ambientação merece destaque, já que em 1963 não existia uma tecnologia avançada como atualmente, fato que é mostrado de forma fiel na espaçonave, com algumas ressalvas. Equipamentos como Monitores monocromáticos, máquinas de escrever e telefones discados são comuns a bordo. Em alguns momentos é perceptível a homenagem ao gênero “Steampunk”, no qual tecnologias contemporâneas se mesclam com equipamentos arcaicos.

Uma das razões da série não ser uma obra prima é sua tentativa de abordar diversos temas e deixar a premissa confusa. A questão científica poderia ser mais explorada, especialmente no que diz respeito a uma viagem espacial daquele porte. O tema fica em segundo plano após o primeiro capítulo, dando lugar a intrigas políticas e teorias da conspiração. Algumas falhas na narrativa são nítidas e poderão incomodar o telespectador. As questões levantadas (e são várias) não são respondidas, abrindo interpretações subjetivas no final, que por sinal irá deixar algumas pessoas frustradas.

Não há como negar que “Ascension” é uma minissérie ambiciosa. Mesmo possuindo algumas falhas de execução e narrativa, é um oasis de ideias diante das produções medíocres que inundam a televisão. Não é uma obra para todos, já que não carrega o espectador pelas mãos a todo o momento, deixando-o livre para refletir, especialmente seu final. Ousa ir além da temática espacial, mesclando a psicologia humana e relações sociais em um ambiente claustrofóbico. Poderia ser mais longa e explorado com profundidade algumas questões, e justamente pela falta disso acabou se perdendo em seu conceito.

Ascension - Season 1

Patrick "Rick" Ribeiro - Arquivista nas horas vagas. Viciado em Games, Cinema, Séries de TV e Livros. Escreve sobre games aqui pois acha que são a maior sopa cultural de todas.

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