Anti-Nelson Rodrigues ganha nova temporada no Parque das Ruínas

No elenco, Bemvindo Sequeira, Joaquim Lopes, Juliana Teixeira, Luiza Maldonado Rogério Freitas, Carla Cristina Cardoso e Gustavo Damasceno

Juliana Teixeira e Joaquim Lopes (foto: Paprica Fotografia)
Juliana Teixeira e Joaquim Lopes (foto: Paprica Fotografia)

Dirigida por Bruce Gomlevsky, a peça Anti-Nelson Rodrigues, penúltima peça de Nelson Rodrigues (1912-1980), ganha nova temporada a partir de 10 de junho, no Parque das Ruínas. Com realização da Nova Bossa Produções, a peça traz no elenco Bemvindo Sequeira, Joaquim Lopes, Juliana Teixeira, Luiza Maldonado, Rogério Freitas, Carla Cristina Cardoso e Gustavo Damasceno. Juliana, aliás, é a produtora à frente desse evento, que trouxe de volta a um palco carioca a encenação da obra, montada na cidade somente na estreia, na década de 70. O espetáculo Anti-Nelson Rodrigues integra o Circuito Cultural Rio, idealizado pela Secretaria Municipal de Cultura e pela Prefeitura do Rio, para a programação cultural dos períodos Olímpico e Paralímpico, que vai de maio a setembro de 2016. 

Em 1974, estreava no Rio a penúltima peça de Nelson Rodrigues (1912-1980), escrita por insistência da atriz Neila Tavares. Há oito anos sem levar a público qualquer criação, o jornalista e dramaturgo surpreendeu mostrando uma história com final aparentemente feliz – e, por isso, batizada como Anti-Nelson Rodrigues. Com direção de Paulo César Pereio, tinha no elenco, além de Neila e Pereio, José Wilker, Iara Jati, Carlos Gregório e Nelson Dantas.  A história que tinha como centro o encontro de Joice – moça do subúrbio de Quintino – com o jovem rico e mulherengo Oswaldinho foi um sucesso estrondoso.

Sinopse: Oswaldinho, filho de Tereza e Gastão, um jovem mimado pela mãe e desprezado pelo pai. Inescrupuloso, ladrão, mentiroso e mulherengo, se torna dono de uma das fábricas do pai e se apaixona por uma funcionária recém-contratada, a jovem e incorruptível Joice.

Juliana Teixeira e Joaquim Lopes (foto: Paprica Fotografia)
Juliana Teixeira e Joaquim Lopes (foto: Paprica Fotografia)

Um Legítimo Nelson
O rico herdeiro Oswaldinho, rapaz cínico, inescrupuloso e mulherengo, é filho de Tereza e Gastão, e leva a vida na flauta, mimado pela mãe, que é obcecada pelo rapaz, e desprezado pelo pai. A suburbana Joice, firme e decidida, é o centro da vida do pai viúvo – Salim Simão, ele próprio um “personagem de Nelson Rodrigues”.  Acostumado a ter tudo o que quer, Oswaldinho tenta comprar Joice, que não abre mão de seus princípios nem se deixa seduzir por poder ou dinheiro.

A trama, apesar da leveza que a diferencia das grandes tragédias rodrigueanas como Vestido de Noiva, Anjo Negro ou A Falecida, não foge em momento algum da forma e do conteúdo que fizeram de Nelson Rodrigues um dos maiores do teatro brasileiro. Estão lá a carpintaria sofisticadamente simples e fluida, a organicidade da trama, as frases de efeito como fogos de artifício; estão ali os temas mais caros ao dramaturgo – o canalha e sua redenção, o erotismo familiar, os desejos sufocados pela mediocridade da vida.

“A peça, apesar da leveza, continua abrigando o retrato da sordidez humana que nunca deixa de existir na obra de Nelson, sempre universal”, aponta Gomlevsky, que pela primeira vez dirige uma obra do dramaturgo carioca. “E quero muito, um dia, atuar em uma peça dele”, completa.

Sórdido e Romântico
Décima sexta peça de Nelson Rodrigues, Anti-Nelson tem, em palavras do próprio autor, um final feliz.  Para muitos, o final é na verdade autoirônico.  Em diversos momentos do texto, Nelson faz referências a si mesmo (Espera lá! Não é o Salim Simão botafoguense, o personagem de Nelson Rodrigues?[ …] Eu pensava que era assim como o Sobrenatural de Almeida, o Gravatinha, a Grã-Fina das narinas de cadáver… / Olha que, segundo o Nelson Rodrigues, eu sou um extrovertido ululante).

“Nelson é um especialista em relações humanas”, aponta Gomlevsky. “Há uma tendência a levar ao palco um Nelson operístico, expressionista. A ideia é levar essa linha mais realista que tenho seguido nos meus últimos trabalhos. A “heterogeneidade dos papeis torna difícil e rica essa escalação do elenco”, lembra ainda o diretor. “São atores de diversas faixas etárias e backgrounds. Mas tivemos uma grande sorte e o elenco é excepcional. O resultado é que mostramos com fidelidade esse Anti-Nelson que é extremamente carioca, extremamente brasileiro e profundamente universal”.

Cenário sintético e figurinos de época
Penteados e figurinos seguem a linha de época, firmemente referenciados nos primeiros anos da década de 1970. O cenário é produzido através de elementos trazidos à cena pelos atores. “A simplicidade e o despojamento dos espaços vazios, em que a luz demarca os ambientes, vai ao encontro da estrutura repleta de cortes cinematográficos”, define Bruce. Assim, a cadeira do escritório ou a cama do quarto, por exemplo, constroem cada cenário e ganham recortes de luz que permitem a rápida passagem de um ambiente para outro.

Circuito Cultural Rio
Idealizado pela Prefeitura do Rio, o Circuito Cultural Rio conta com mais de 700 atrações, selecionadas e patrocinadas por meio dos editais da Secretaria Municipal de Cultura, que serão apresentadas em mais de 100 espaços culturais espalhados por toda a Cidade, além dos eventos que acontecem ao ar livre. Com peças de teatro, exposições, shows, espetáculos de dança, atrações circenses, eventos de gastronomia, manifestações de rua, saraus, bailes e afins, o Circuito Cultural Rio vai possibilitar uma experiência integral da diversidade cultural carioca. 

Serviço

Texto: Nelson Rodrigues
Direção: Bruce Gomlevsky

Elenco: Bemvindo Sequeira (Simão Salim), Joaquim Lopes (Oswaldinho), Juliana Teixeira (Tereza), Luiza Maldonado (Joice), Rogério Freitas (Gastão), Carla Cristina Cardoso (Hele Nice) e Gustavo Damasceno (Leleco)

Temporada: de 10 de junho a 10 de julho de 2016
Dias e horários: Sexta, sábado e domingo, às 19h30
Local: Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas
Endereço: Rua Murtinho Nobre, 169, Santa Teresa
Telefone: (21) 2215-0621
Capacidade: 86 lugares
Classificação Indicativa: 16 anos
Duração: 70 minutos
Gênero: Tragicomédia
Ingressos: R$30 (inteira) e R$15 (meia)

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