Após 7 anos, Andréa Facchini realiza sua segunda individual no Centro Cultural Justiça Federal. A mostra, “Alguma coisa atravessa pelos poros”, inaugura dia 19 de abril, às 18:30h, e apresenta mais de 40 obras, entre pinturas, desenhos, bordados e uma escultura, sendo alguns inéditos, em que personagens e tranças transitam num registro ambíguo, entre o real e o fictício, memória e invenção. Em sua maioria, as obras pertencem a duas séries, nas quais a artista vem trabalhando recentemente, intituladas “Carochinha” e “Terezas”.  

Segundo a curadora Marisa Flórido, “A célebre frase de Paul Valéry “O mais profundo é a pele”, não descreveria melhor as telas de Andréa Facchini: não há como se inscrever na epiderme do mundo sem esse roçar de peles, sem enfrentar seu atrito, suas falhas e dobras, suas contenções e extravasamentos. À artista, talvez interesse o movimento misterioso do aparecer e desaparecer de algo para o olhar. É essa desmedida do visível, esse ponto cego, que dobra e se desdobra em cenas cotidianas e pequenos delírios, entre a minúcia da descrição e o frenesi das fabulações, entre um mundo que se apresenta por enquanto e os outros infinitos, imaginários e potenciais, que o atravessam (…) É dessa tensão que emerge sua pintura, como um fluxo incontido que precisa explodir, à vertigem, cores, peles e poros. Que necessita atravessar a superfície para continuar em um próximo quadro, em um próximo plano, na contigüidade e atrito com a pele ao lado.(…)”. 

O jornalista e curador Gilberto de Abreu, diz que “Amélie, a personagem título de O fabuloso destino de Amélie Poulain, vivida no cinema por Audrey Tautou, ficaria maravilhada com o universo revelado pela artista.

Envoltas por teresas que se (con)fundem com a vegetação rasteira (selvagem?) do jardim, as mulheres de Facchini (essa exímia contadora de causos), encontram-se suspensas no tempo-espaço.

Alice, de Lewis Carroll, procuraria o coelho nesse País das Maravilhas. É como se o mundo todo de Facchini coubesse ali (…) A natureza pode ser descrita como um território de sonhos (de Amélie), maravilhas (de Alice) e mistérios (de Andrea).”

Serviço:

A exposição que inaugura dia 19 de abril  às 18:30h,  fica em cartaz até 05 de junho de 2016, de terça a domingo, das 12h às 19h. O endereço é Centro de Artes Justiça Federal, Galeria, 1 Avenida Rio Branco 241, Centro, Rio de Janeiro, tel: 3261-2550; www.ccjf.trf2.jus.br; http://www10.trf2.jus.br/ccjf/

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