Alexandre Lino estreia nos palcos como diretor em “Volúpia da cegueira”

Moira Braga (foto: Janderson Pires)
Moira Braga (foto: Janderson Pires)

Texto inédito de Daniel Porto aborda a sexualidade entre os cegos, revelando suas descobertas e fetiches mais íntimos 

Espetáculo cumpre temporada de 07 de abril a 15 de maio,  no Teatro Municipal Maria Clara Machado

Depois de dirigir quatro curtas e dois documentários de longa-metragem, o ator e diretor Alexandre Lino se prepara para sua primeira direção no teatro. Escrita por Daniel Porto, a peça Volúpia da cegueira tem estreia marcada para o dia 07 de abril, no Teatro Municipal Maria Clara Machado. Em cena, as fantasias e tabus sexuais de quatro personagens cegos, num jogo erótico-afetivo onde imagem e som atuam concomitantemente. Formado por Moira Braga, Felipe Rodrigues, Max Oliveira e Aléssio Abdon, o elenco traz dois atores que são de fato deficientes visuais, propondo uma inversão de papéis entre eles e o público.

O tema “sexo e cegueira” não é uma novidade para Lino, que já havia tratado sobre o assunto na montagem Asilo Paraíso, baseada na história de seu tio com quem conviveu da infância a adolescência no interior de Pernambuco. “Estudos mostram que para a maioria das pessoas os cegos são seres praticamente assexuados. Eu nunca tive essa impressão, pelo contrário. Meu tio ficou cego aos 18 anos, no auge de sua descoberta sexual, e continuou sendo muito ativo mesmo depois de desenvolver a cegueira”, conta Lino. Mas a vontade de voltar à pauta veio depois de ler o livro de contos eróticos Tripé do tripúdio, de Glauco Mattoso – cego homossexual e masoquista assumido. A partir daí, Lino começou a devorar livros e filmes sobre o tema e resolveu convidar o autor Daniel Porto – o mesmo de O Pastor e Acabou o Pó – para escrever a peça. 

Foi assim que nasceu Volúpia da cegueira, uma experiência sensitiva, que resgata da realidade o material essencial para sua dramaturgia, tentando desmitificar o que se passa na cabeça das pessoas em relação à intimidade dos que não enxergam com os olhos. “Apesar de poética, a peça também tem um caráter documental forte, que está presente em todos os meus trabalhos. A ideia é tentar mostrar que quando estamos falando de sexo, pelo menos nesse campo,  ser cego ou vidente não faz diferença”, explica o diretor.

O espetáculo dá sequência à linha investigativa da Documental Cia, que Alexandre Lino passa a nominar como grupo para seus projetos de “Teatro Documentário” – iniciado com Domésticas e seguido por O Pastor, Acabou o Pó e Nordestinos. “Há um pacto de verdade nesses trabalhos onde a potência do real é explicitada sem acréscimos que comprometam o reconhecimento”, explica. Partindo desse princípio, Lino optou por ter no elenco atores videntes e cegos sem, no entanto, identificar quais têm a deficiência ou não. Além disso, no início da sessão, o público receberá vendas para os olhos, dando a chance para todos experimentarem a sensação da escuridão plena vivida pelos atores em cena.  

Criado por Karlla De Luca (que também assina o figurino), o cenário tem como pano de fundo um telão com imagens de olhos em serigrafia pintados pelo artista plástico Alexandre Elias, que também assina a trilha sonora. As cores preta, cinza, vermelha e branca dão o tom contemporâneo do figurino, confeccionado em moldes soltos e fluidos, inspirados nos balés de Pina Bausch.

O diretor
Alexandre Lino é ator, produtor e diretor. Com formação inicial em artes cênicas, é Bacharel em Cinema pela UNESA, com especialização em teatro. Foi ator, produtor e diretor de arte da Rede Record de Televisão entre 2007 e 2013.  Em 2012, por sua atuação em Domésticas foi indicado ao Prêmio Ítalo Rossi na quarta edição da FITA. Foi um dos fundadores da Resistência Cia. de Theatro, atuou na Artesanal Cia de Teatro e integrou a Cia de Ópera popular.

É protagonista do documentário cênico O Pastor, que figurou no ranking das melhores peças da revista Veja Rio, recebeu a chancela O Globo Indica e foi indicado ao prêmio Botequim Cultural, na categoria melhor Ator, Texto, Direção e Espetáculo. Também esteve na lista dos Destaques do Teatro Carioca de 2013, do crítico Daniel Schenker. Em 2015, idealizou o projeto transmidiático (peça, livro e filme) e atuou em Nordestinos, com direção de Tuca Andrada. Ambas as montagens continuam sendo apresentadas em diversas cidades brasileiras e Festivais.

Dirigiu o documentário Lady Christiny, que ganhou diversos prêmios em festivais de cinema no Brasil e participou de festivais internacionais. Dirigiu também os curtas-metragens Ensaio Chopin, Amor puro e Simplesmente e o clipe musical Tempo do tempo. Seu primeiro longa documentário Saudades Eternas foi um dos representantes brasileiros no 7º Festival Internacional de Luanda. Realizou a mostra Cacá Diegues – Cineasta do Brasil, na Caixa Cultural Rio de Janeiro, em homenagem aos 50 anos de carreira do cineasta. É sócio fundador da Cineteatro Produções, uma das mais profícuas produtoras do Rio de Janeiro, e membro do Colegiado da APTR.

Criou o curso Artista Empreendedor, onde ministra aulas em universidades do Rio e oferece workshops pelo Brasil. Com este curso, inaugurou junto com Roberto Bomtempo e Bosco Brasil a Escola de Artes de Campos dos Goytacazes. O método será lançado em livro no segundo semestre de 2016.

O autor – Formado em História pela Universidade Federal Fluminense – UFF, Daniel Porto é natural do Rio de Janeiro. Para o teatro, escreveu as comédias Acabou o Pó e O pastor – sucesso de crítica e público, esta última figurou no ranking das melhores peças da revista Veja Rio e foi indicada ao prêmio, Botequim Cultural, na categoria melhor texto. No teatro infantil, adaptou o conto O duende Rumpelstiltskin, de autoria dos irmãos Grimm, com direção de Daniel Dias da Silva, indicada pelo Guia da Folha de São Paulo como uma das melhores peças cartaz. Também escreveu As aventuras de Pinóquio, de Carlo Collodi, dirigido por Carina Casuscelli.

Em 2016, Daniel Porto assina a dramatugia de Volúpia da cegueira, direção Alexandre Lino; e Sputinks bar, dirigido por Renato Livera, além da comédia Tia Glorinha, de Gustavo Paso. Fez a pesquisa histórica de Chica da Silva – O musical, do diretor André Paes Leme. Participa do Festival de Curitiba 2016, Mostra Oficial, com uma adaptação da obra O pequeno príncipe, dirigida por Edson Bueno. O espetáculo João e Maria – Um musical marca a sua estreia na direção.

FICHA TÉCNICA

Direção: Alexandre Lino
Texto: Daniel Porto
Elenco: Moira Braga, Aléssio Abdon, Felipe Rodrigues e Max Oliveira
Direção Musical: Alexandre Elias
Iluminação: Renato Machado 
Cenário e Figurinos: Karlla De Luca
Direção de Movimento: Paula Feitosa 
Design Gráfico: Guilherme Lopes Moura
Fotógrafo: Janderson Pires
Telas do cenário: Alexandre Elias
Assessória Jurídica: André Siqueira
Direção de Produção: Alexandre Lino
Produção Executiva: Daniel Porto
Assistente de Produção: Samuel Belo
Argumento e Idealização: Documental Cia
Realização: Cineteatro Produções

SERVIÇO:

Espetáculo: Volúpia da cegueira
Teatro Municipal Maria Claro Machado
Endereço: Av. Padre Leonel Franca, 240 – Gávea
Informações: (21) 2274-7722
Capacidade: 120 lugares
Temporada de: 07 de abril a 15 de maio
Dias e horários: de quinta a domingo, às 20h
Ingressos R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)
Duração: 70 min
Classificação indicativa: 16 anos
Gênero: Drama

Outras informações:
www.cineteatroproducoes.com.br
volupiadacegueira.cineteatroproducoes.com.br

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