Adaílton Medeiros lança o livro ‘O Espelho de Narcisópolis’

As credenciais de Adailton Medeiros são inúmeras. Produtor e agitador cultural, é o responsável pelo Ponto Cine – a primeira sala popular de cinema digital do Brasil. Publicou diversos artigos e crônicas em jornais e revistas. Foi editor da revista Sete Dias da Amazônia e é um dos autores do livro De Baixo Pra Cima. Além disso é autor de quatro textos teatrais: Justina Fiel Leal; Aparecida, O Musical da Padroeira; Boca do Inferno; e Tempos Amargos.

Agora, juntou as histórias que efervesciam na cabeça e deu vida ao seu primeiro romance: O Espelho de Narcisópolis (editora Autografia), que será lançado no dia 23 de junho, às 19h30, no Oi Futuro Ipanema. O livro relata histórias do subúrbio carioca contadas de forma cinematográfica, apresentando uma cidade fictícia, hiper-realista, de maneira irônica e repleta de bom humor. A obra conta com texto de apresentação do cineasta Cacá Diegues e orelha do pensador Jailson Souza e Silva (Observatório das Favelas), além de cometário do diretor de TV Luiz Fernando Carvalho.

Divulgação

Ficha técnica

O Espelho de Narcisópolis
Editora Autografia
242 páginas
Preço médio: R$43

Sinopse
CapaNarcisópolis é um bairro suburbano fictício. A maior característica da sua população é o “bairrismo”. Ela defende os “seus interesses” por meio de atitudes extremas para exaltar as suas “virtudes”. Inconformados com as instalações dos piscinões na cidade, seus moradores decidiram, por conta própria, construir o seu próprio piscinão. Melhor, resolveram transformar uma de suas mais tradicionais praças em lagoa, que era para matar de vez todo mundo de inveja. Ou seja, piscinão era pouco.

A lagoa, sua criação e “descriação”, que irá durar sete dias, é o fio condutor da narrativa, que se utiliza de temas como: amor, política, religião, desigualdade e exclusão social, deficiência nos meios de transportes públicos e corrupção. Cada personagem traz consigo uma história que é encontrada facilmente no dia–a–dia, o que torna a leitura palatável e, mais que isso, provoca o riso por abordar de maneira muito bem humorada “dramas” diários como, por exemplo, ir sentado para o trabalho, após uma hora na fila do ponto final do ônibus, mas voltar sempre em pé e condenar-se ao con seguir um assento no meio do trajeto, por penalizar-se com a “classe dos em pé”.

O subúrbio do Rio de Janeiro é rico em histórias, em vivências e em experiências coletivas inovadoras. Uma das mais inventivas é o Ponto Cine, empreendimento original que contribui para democratizar o acesso ao audiovisual na região de Guadalupe. Seu fundador, Adailton Medeiros, tem uma experiência de vida extraordinária, um longo caminho na luta pelos direitos dos moradores das periferias e subúrbios e, com esse livro, buscou expressar a ligação profunda com a sua origem de modo ainda mais criativo. O texto, de forma ficcional, apresenta algumas das peculiares características da vida suburbana. Nele, Adailton relata, com ironia, humor e delírio, histórias plurais de personagens de uma região invisibilizada das grandes cidades. Aposentados que nada fazem a não ser falar e reclamar da vida alheia; fofoqueiros de plantão; o morador perverso com o futebol das crianças; pais e mães expressando seu ódio ou amor por sua família; os jovens em suas buscas, dores e disputas; os mendigos folclóricos; as mulheres gostosas; os maridos traídos; os fanfarrões e ídolos locais; os místicos e religiosos. Tudo descrito em um contexto atravessado pelas lendas e crenças para além da razão. Narcisópolis e seu Espelho é uma metáfora urbana individual e coletiva, que aponta possibilidades, limites e desvarios. Tudo isso numa linguagem leve, fluida e descompromissada. Divirta-se.
Jaílson de Souza e Silva

Mais do que uma rara e original literatura fantástica, a ficção de Adailton Medeiros tem uma natural vocação cinematográfica. Por ali passam os filmes que ele viu e os filmes que gostaria de ver, da poesia social de DeSicca e do neorealismo (impossível não pensar em “Milagre em Milão” ou nas comédias líricas de Totó e Gassman, feitas por Mario Monicelli, até o “Gaviões e Passarinhos” de Pasolini), ao realismo social do Cinema Novo (como nos filmes “suburbanos” de Nelson Pereira dos Santos ou nas comédias de travo amargo de Joaquim Pedro de Andrade).

Cacá Diegues

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