“Abajur lilás” tem únicas apresentações na mostra Gamboavista

Montagem da VIL CIA, com direção de Renato Carrera, homenageia o dramaturgo Plinio Marcos, que teria completado 80 anos em 2015

Abajur lilás (foto: Dalton Valério)
Abajur lilás (foto: Dalton Valério)

Indicado ao Prêmio Shell na categoria de melhor direção, o espetáculo “Abajur lilás” será apresentado no Galpão Gamboa, durante a 5ª edição da mostra Gamboavista, nos dias 26 e 27 de março. Considerada uma das obras primas de Plínio Marcos, junto ao trio de peças “Barrela”, “Dois perdidos numa noite suja” e “Navalha na carne”, “Abajur lilás” foi escrita em 1969 e censurada pela ditadura militar em 1975, num episódio que entrou para a história da resistência do teatro brasileiro. A peça retrata o cotidiano de um prostíbulo e a vida de três prostitutas e seu cafetão, a partir do questionamento do abuso de poder. A mostra Gamboavista vai até o dia 19 de junho e recebe, ao todo, mais de 20 atrações, entre espetáculos adultos, infantis e shows.

Em 2015 completaram-se 40 anos do manifesto da classe teatral contra a censura de “O abajur lilás”. Na época, o manuscrito foi escrito e lido por atores em todos os teatros, antes de cada um dos espetáculos que estavam em cartaz na cidade. A classe teatral organizou várias manifestações de protesto contra a censura da peça e grande parte das companhias teatrais não trabalhou na quinta-feira, dia 15 de maio de 1975, data da proibição. Durante as semanas seguintes, foi lido um manifesto contra a censura, em todos os teatros, antes do início de cada espetáculo.

“Uma montagem que prioriza a força do texto e dos atores e que traz ao palco o conflito de personagens que vivem à margem da sociedade, colocados em cena por este grande autor, pouco encenado nos palcos brasileiros. Ambientado num ambiente úmido e escuro, o texto nos mostra personagens sem saída e sem lugar, numa linguagem forte e intensa. A tragédia da miséria e da vida são colocadas sobre três prostitutas, submetidas ao poder do cafetão homossexual, que abusa do terror psicológico e físico para mantê-las ali presas e sob seu teto, enclausuradas nesta vida com a qual estão submetidas.”, afirma o diretor Renato Carrera.

SINOPSE
A peça conta a história das prostitutas Dilma (Andreza Bittencourt), Célia (Larissa Siqueira) e a recém-chegada Leninha (Laura Nielsen). As três vivem confinadas num cubículo, onde são arrendadas pelo cafetão Giro (Éber Inácio), que vive acompanhado pelo segurança Osvaldo (Higor Campagnaro), na verdade um sádico torturador. Dilma é uma mulher sofrida e só aceita as condições desumanas em que vive por causa do filho que precisa sustentar. Célia, revoltada e explosiva, bebe todos os dias e quase não rende na noite. A chegada de Leninha deflagra o conflito entre elas. Célia não aguenta a pressão e as ameaças de Osvaldo e propõe um plano para Dilma e Leninha: matar Giro e ficar com o prostíbulo, sem cafetão e sem Osvaldo. Mas as coisas não saem como o planejado.

A MONTAGEM
A direção de Renato Carrera, indicada ao Prêmio Shell, investe no realismo e na crueza da cena. O cenário de Andre Sanches contém velhas bacias e baldes de metal com água, onde as personagens lavam as próprias roupas e também se lavam. As paredes do prostíbulo remetem às barracas das favelas, feitas de telha ondulada. As telhas são translúcidas, favorecendo o jogo das luzes de Renato Machado.

Contrastando com a aridez da cena, a trilha do diretor musical Alexandre Elias é basicamente formada por música clássica, pontuada por algumas inserções do cancioneiro brega, ouvidas nos radinhos de pilha dos moradores. O figurino de Flavio de Souza expõe a decadência das personagens. A preparação corporal de Felipe Koury dá sustentação às cenas intensas de violência e sexo.

Ficha técnica
Texto: Plínio Marcos
Direção: Renato Carrera
Assistente de direção: Joana Cabral
Elenco: Andreza Bittencourt, Laura Nielsen, Larissa Siqueira, Higor Campagnaro e Eber Inácio
Iluminação: Renato Machado
Direção musical: Alexandre Elias
Cenário: André Sanches
Assistente de cenografia: Débora Cancio
Figurino: Flavio Souza
Preparação corporal: Felipe Koury
Designer gráfico: Mario Alberto
Idealização: Andreza Bittencourt e Renato Carrera
Produção: Conexão Center e Consultoria LTDA e VIL CIA.
Realização: SESC Rio, Conexão Center e Consultoria LTDA e VIL CIA.

Serviço:
Data: 26 e 27/03
Local: Galpão Gamboa – Teatro
Endereço: Rua da Gamboa, 279 – Centro – RJ
Horário: 21h (sábado) e 20h (domingo)
Ingressos: R$ 20 (inteira)/R$ 10 (meia)/R$ 5 (para moradores dos bairros da Zona Portuária, apresentando comprovante de residência)
Vendas de ingressos:
-No Galpão: terça a quinta, das 14h às 18h (nos dias de espetáculo a bilheteria funciona 2 horas antes do início do espetáculo ou até se esgotarem os ingressos)
-Na Pequena Central: terça a quinta, das 14h às 18h (endereço: Rua Conde de Irajá, 98, Botafogo – telefone de contato: 3797-0100)
Duração: 90 min
Classificação etária: 18 anos
Capacidade: 80 lugares
Forma de pagamento: dinheiro

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