A partir de textos e entrevistas de Simone de Beauvoir, Lucia Murat investiga a velhice com o longa “Em três atos”

O filme estreia em 10.12, distribuído pela Imovision, e traz Nathalia Timberg, Andréa Beltrão e as bailarinas Angel Vianna e Maria Alice Poppe, num ensaio audiovisual entre a ficção e o documentário

Aos 66 anos, Lucia Murat decidiu investigar a situação dos idosos na sociedade. Para isso, percorreu os escritos e as entrevistas de Simone de Beauvoir sobre o tema. A mesma inquietação que a cineasta agora sente, fez a pensadora francesa escrever “A velhice”, em 1970. Por ter sido bailarina na adolescência, Lucia decidiu refletir sobre o tema contrapondo o corpo e a palavra no longa “Em três atos”, que estreia em 10.12, pela Imovision. 

A proposta do filme é muito mais levantar questões e apontar sensações do que dar respostas. Por isso, o que busco são as nuances e contradições observadas no corpo: a dor de ter perdido o vigor convivendo com a vida que está presente na velhice”, explica a diretora que optou por trabalhar com textos de Simone de Beauvoir imediatamente após ter decidido fazer o filme.

Não somente por ela ter escrito e pensado sobre o tema, mas também por ter sido uma das intelectuais mais importantes da minha geração”, completa a diretora, que também se debruçou sobre a obra “Uma morte doce”, da mesma autora, livro no qual Simone de Beauvoir descreve a morte de sua mãe.

O filme – No longa, Simone de Beauvoir aparece com 80 e com 50 anos (Nathalia Timberg e Andrea Beltrão), sendo que os textos da pensadora idosa se baseiam em “A Velhice” e os da personagem aos 50 anos, se baseiam em “Uma morte muito doce”. Para a diretora, do ponto de vista dramático, o personagem ganhou desta forma uma força considerável pois ele é visto nesses dois tempos: hoje, aos 80 anos, refletindo sobre a velhice e a sua morte, e aos 50 anos, experimentando a dor da morte da mãe”, explica. O contraste entre os dois momentos humaniza e traz mais complexidade ao personagem.

Para trabalhar visualmente a questão do corpo, Lucia Murat decidiu acrescentar as bailarinas Angel Vianna, 85 anos, e Maria Alice Poppe, que realizam no filme uma performance coreografada por João Saldanha.

Com isso, nós passamos a trabalhar com quatro personagens. A intelectual em dois momentos e as duas bailarinas. Entrecruzar esses personagens é o trabalho desse filme, que se define numa proposta presente no cinema contemporâneo, trabalhando com a liberdade que o tema exige”, explica.

Sinopse – Quando uma intelectual de 80 anos é confrontada com questões da velhice e da morte, ela se vê 30 anos antes enfrentando a morte de sua mãe. De forma poética, “Em Três Atos” contrapõe dança contemporânea, através de uma bailarina de 85 anos e uma jovem bailarina em seu auge.

Realizado em parceria com a TS Productions, com quem a Taiga já co-produziu “Quase Dois Irmãos”, o filme conta com o apoio francês de Milena Poylo, Gilles Sacoud e Céline Loiseau, responsáveis pela negociação com a Editora Gallimard, detentora dos direitos de Simone de Beauvoir.

SOBRE A  DIRETORA
A cineasta Lúcia Murat iniciou sua militância política na universidade e foi uma das estudantes presas no Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Ibiúna (SP). Após o Ato Institucional Nº 5 (AI-5), entrou na clandestinidade. Militante da Dissidência Estudantil da Guanabara, posteriormente, Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), foi presa em março de 1971. Na década de 1980, Lúcia passou a dedicar-se ao cinema. Alguns deles abordam a temática da ditadura militar, como Que Bom Te Ver Viva (1989), Quase Dois Irmãos (2004) e A Memória Que Me Contam (2013), inspirado na vida da também militante e amiga de Lúcia, Vera Silva Magalhães.

“Em três atos”, de Lucia Murat

Estreia: 10.12
Distribuição: Imovision
Gênero: Drama
País: Brasil / França     
Ano: 2015
Tempo: 76 min
Classificação: Verificar classificação
Elenco: Nathália Timberg, Andréa Beltrão, Angel Vianna e Maria Alice Poppe
Direção e roteiro: Lucia Murat
Baseado em textos de Simone de Beauvoir e no espetáculo “Qualquer coisa a gente muda”
Coreografia: João Saldanha
Produção: Lucia Murat, Miléna Poylo, Gilles Sacuto, Céline Loiseau
Direção de Produção: Martha Ferraris
Diretor de Fotografia: Dudu Miranda
Colorista: Fabio Souza
Diretor de Arte: Cedric Aveline
Montagem: Mair Tavares edt. e Marih Oliveira edt.
Trilha Sonora: Sacha Amback
Figurino: Inês Salgado
Figurino Dança: João Saldanha
Assistente de Direção: Lucas Canavarro e Leonardo Bittencourt

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