“A Minha Querida Dama”, que estreia no próximo dia 18, é uma adaptação de uma peça homônima escrita pelo próprio diretor do filme, Israel Horovitz. A história parece não ter funcionado muito bem na telona. Apesar de possuir diálogos interessantes, citações de peso, paisagens urbanas inspiradoras, e até bate-papo sobre vinhos, temos a sensação de que faltou algo para dar uniformidade à trama. Fica tudo muito perdido ali dentro, sem foco, sem liga.

myoldladyO filme traz a história de Mathias Gold (Kevin Kline), que é um americano herdeiro de um apartamento milionário em Paris, por consequência da morte de seu pai. Ao viajar para a França, ele encontra Mathilde Girard (Maggie Smith) morando no local, e logo descobre que o imóvel se encontra sob o regime de “viager”. Isto significa uma forma de negociação e venda existente na França, onde o apartamento é repassado a um preço abaixo do de mercado, mas em contrapartida o comprador só pode tomar posse quando o vendedor morrer, tendo aquele que pagar ainda uma pensão a este durante o período em que estiver vivendo. Ao descobrir tal fato, Mathias fica indignado e procura um corretor para avaliar e vender o imóvel, sob as circunstâncias em que o mesmo se encontra. Nesse meio tempo, o protagonista se envolve com a filha de Mathilde, Chloé Girard (Kristin Scott Thomas), que também mora no local, e descobre segredos do passado de seu pai que ele jamais poderia imaginar.

Aos amantes de Paris, é oferecido um bucólico passeio em suas diversas localidades, sobretudo nas margens do Sena. Ainda assim, por momentos o filme pode parecer entediante, dada a repetitividade na história, que tem como foco em sua maior parte, nas negociações para a venda do apartamento.  Quase todas as cenas “engraçadas” não fazem rir. Entretanto, isso não pode ser considerado um ponto tão negativo, pois trata-se de uma comédia mais sofisticada.

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Os atores foram mal aproveitados, bem como a própria abordagem em cima da história. Quiseram puxar muito pela comédia, e acabou ficando forçado, por algumas vezes. Foi perdido muito da dimensão existencialista e reflexiva que o filme tinha a oferecer. As poucas e boas frases de efeito salvam os diálogos. “Você tem a vida toda pela frente Mathias, existe riqueza maior?” “como pode uma alma bater palmas?”.

Não podemos afirmar que é um completo desperdício de tempo assistir a este filme, que estreia tardiamente no Brasil. Ele tem seu valor, e de certa forma é até agradável. Só não há nada de especial que justifique uma ida ao cinema, pelo contrário, é melhor desfrutá-lo no conforto do lar. Contudo, não convence o espectador em nenhum dos gêneros nos quais pretendeu transitar. Quando tentou ser comédia, não fez rir. Quando pendeu para o romance, não cativou. Por fim, quando dramatizou, não emocionou. Fica a sensação de que a peça teatral que originou o filme deva ser mais interessante, e que transplantada para a linguagem cinematográfica, não obteve tanto sucesso quanto poderia.

Ficha Técnica:
Título: A Minha Querida Dama
Título Original: My Old Lady
Ano: 2014
Direção: Israel Horovitz
Roteiro: Israel Horovitz
Elenco: Kevin Kline, Kristin Scott Thomas, Maggie Smith

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