‘De Volta ao Passado que Nunca Vivi’, novo CD de Fábio Allex

De Volta ao Passado que Nunca Vivi. Essa é a designação escolhida para contemporizar o segundo álbum do cantor e compositor Fábio Allex. Assim como o primeiro, Porta-Novas, lançado apenas na internet, em 2013, o atual registro, igualmente, traz 11 canções autorais. Porém uma inquietude pode surgir logo após o nome ser proferido (ou lido): por quê o epíteto?

A frase-título foi retirada do início da última faixa do disco anterior, ou seja, da canção Porta-Novas, do álbum homônimo. A ideia, primeiramente, é estabelecer um diálogo com as duas obras, a fim de assumir que se trata de uma continuidade, em razão da linguagem pop adotada, intrinsecamente fincada na música poética do artista.

Isso não quer dizer que se trata de um mais do mesmo. Inclusive, a produção musical (diferentemente da de estreia, que é realizada pelos competentes Marcus Lussaray, Renato Serra e Jr. Muniz) é assinada, dessa vez, pelo talentoso Memel Nogueira, hoje um dos profissionais mais respeitados e requisitados da nova cena de músicos maranhenses, além da coprodução de Sandoval Filho. Memel, exímio guitarrista, que também é compositor e tem carreira solo, dar à obra mais solidez aos arranjos e fomenta timbres mais coesos, além de explorar múltiplos elementos da música alternativa contemporânea.

De qualquer forma, é certo que não há ruptura. A pluralidade permanece, como canções, essencialmente assonantes e minimalistas, arraigadas de lirismo e abordagens existenciais nascedouras de influências da nova MPB, além da música universal, como folk, reggae, blues, contudo, obviamente, sem pretensões de soar roots, uma vez que os elementos da música pop são a tônica e o alicerce do trabalho.

Há também espaço para o regionalismo. Com participação de Marcos Lamy, Depois do Sol Será Outra Estrela perpassa pelo tambor de mina e bumba-boi, ritmos enraizados e perpetuados na cultura do Maranhão. Outras (belíssimas) participações enriquecem ainda mais o álbum, como a da paulista Mary Luz, em Música & Poesia; além de Kadu Ribeiro, em Há Tantas Moscas; Camila Boueri, em Vestido Cetim; e de Mario Fernando, em Sem-Dita.

De Volta ao Passado que Nunca Vivi, além de transitar por temas como despedidas, partidas, fugas, sempre com uma perspectiva de autoencontro, de superação, caracteriza ainda uma revisitação do autor à sua memória afetiva, às suas origens.

Filho de maranhenses e radicado no Maranhão desde 1985, Allex nasceu no estado do Rio de Janeiro e morou, desde então, até os 7 anos de idade, no município de Niterói (a cerca de 15 km da capital). E de lá, embora mais distantes, vêm as mais ternas lembranças da infância e, de imaginações constantes e densas – de como seria se continuasse naquela cidade –, quase reais de tão exercitadas ao longo dos anos, tanto que às vezes se confundem com as vivências, de fato. Uma verdadeira volta ao passado, seja vivida, seja idealizada. Uma obra para externar a saudade.