É o Bicho

Seria o óbvio, se não fosse exatamente o contrário do óbvio.

seria a história de um travesti e um garoto de programa que dividem um apartamento no centro de uma megalópole e, num belo dia, recebem a visita de um jovem estudante, recém chegado de uma pequena cidade do interior, interessado em pesquisar o universo da prostituição masculina para a peça que está montando no curso de teatro. Mas não é.

os personagens dessa história, não conseguem se conter dentro dos estereótipos que para eles reservados e extrapolam os limites da realidade, se tornando monstrengos metafísicos discutindo o sexo, a política, a arte, a morte, o teatro, Deus, o dinheiro, as mães e a proibição do topless nas praias brasileiras.

seria um apartamento muquifo, quarto e sala, no centro da grande cidade, habitado por figuras do underground urbano. Mas não é.

é o espaço cênico em constante mutação, levando nossos monstrengos sexuais a mares intergalácticos de difícil navegação.

seria só um jovem do interior, que fez teatro na casa paroquial de uma igrejinha, atrás da pracinha com coreto, pipoqueiro e picolé de groselha. Mas não é.

é um cara velado com algo a dizer, velado demais para ir logo dizendo, mas que está disposto a sofrer até o final, para destruir os limites entre a vida e a arte.

seria só um travesti extravagante, exagerado, de maquiagem carregada, falando rouco e usando roupas de gosto duvidoso. Mas não é.

é um homem de Deus, um homem-mulher que sabe concretamente da existência de Deus, que experimentou Deus.

seria só um garoto de programa arrogante e amoral, querendo arrancar dinheiro do jovem ingênuo do interior que veio entrevista-lo. Mas não é.

O cara é artista.

seria uma trama bem bolada, com algo que mantivesse o público em suspense até o final, com cenas de sexo bem coreografadas, diálogos bem escritos e interpretações verossímeis. Mas não é.

Bicho é risco.

é o ator que caminha, sem rede de proteção, sobre fio de cabelo que separa o sublime do ridículo, sabendo que o sublime pode ser ridículo e o ridículo pode ser sublime.

é o texto sujo, caótico como a consciência humana.

é a montagem violenta, explosiva, que revoluciona a si mesma em cada respiração dos personagens, em cada pausa, em cada som, a cada fúria.

Sinopse
Seria a história de um travesti e um garoto de programa que dividem um apartamento no centro de uma megalópole e, num belo dia, recebem a visita de um estudante, recém-chegado de uma pequena cidade, interessado em pesquisar o universo da prostituição masculina para a peça que está montando no curso de teatro. Mas não é.

arte grafica

Ficha Técnica
Autor: André Sant’Anna
Direção: Georgette Fadel
Assistente de Direção: Leonardo Rosa
Elenco: Eduardo Speroni, Davi Guilhermme, Jean Machado e Pedro Nercessian
Iluminação: Felipe Couto
Cenografia: Richard de Mattos
Figurino: Juliana Prado
Direção Musical: Davi Guilhermme
Direção de Produção: Jean Machado
Assistência de Produção: Julia Deccache

Serviço
DE 5 A 28 DE MARÇO
(Sábados, Domingos e Segundas)
Horário: 20h
Sede das Cias: Rua Manoel Carneiro, 12 – Ladeira Selaron,  Lapa
Tel: (21) 2137-1271
Ingressos: R$ 30,00 [inteira] R$ 15,00 [meia entrada]Duração: 120 minutos
Classificação: não recomendado para menores de 18 anos

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