“Alice mandou um beijo” estreia no Mezanino do Espaço Sesc, em Copacabana

foto: Renato Mangolin
foto: Renato Mangolin

Baseada nas memórias de infância do autor e diretor Rodrigo Portella, a peça “Alice mandou um beijo” mergulha no universo das contradições familiares, criando uma trama onde a reconstrução da memória é o eixo central. 

Quando a peça começa Alice já está morta. O público não a conhece pelo que ela é, mas pelo que descrevem dela. Paradoxalmente, Alice está viva dentro da casa. Todos falam dela todo o tempo, vestem suas roupas, executam suas tarefas, tentam assumir o seu lugar. O eixo dramático está nas delicadas decisões dos personagens diante da “ausência” de Alice, uma espécie de representação da coerência familiar. Alice é quem dava sentido àquela convivência. Diante de sua morte, as relações se refazem, se transformam instáveis e até mesmo impossíveis.

O enredo de “Alice mandou um beijo”

Apesar de jovem, Jandira, a filha do meio, segura a barra de cuidar de toda a família. Após a morte de Alice, ela tenta manter tudo como antes. Mas aos poucos, as coisas parecem se mover de modo que Jandira perde completamente o controle. Alice parece ter sido durante anos o ponto de equilíbrio daquela família. No passado, após a morte da matriarca, o pai, surdo e senil, sobrevive da troca de mimos com Alice. Robério, o filho autista de Jandira, tinha em Alice a única porta de comunicação com o mundo real. Oneida, a irmã mais velha, que sempre alimentou um ressentimento em relação à preferência do pai pela caçula, resolve investir em Osvaldo, o cunhado viúvo. Seu desejo é vender a casa e ir embora com ele pra uma cidade maior. Isso afeta terrivelmente Jandira, que além de ter mantido a vida inteira um amor platônico por Osvaldo, se vê agora diante da possibilidade de ficar sozinha cuidando de seu pai e de Robério, o filho a quem ela se dedica com muito pouca habilidade.

Desenvolvida por Rodrigo Portella com colaboração da Cia Cortejo, a dramaturgia do espetáculo é antes de tudo um resgate das memórias de infância do autor. Nascido e criado no pequeno município fluminense de Três Rios, Rodrigo se vale das recordações a cerca de sua própria família: “Quando eu era criança, todas as minhas relações familiares pareciam estáveis e eternas: o tio engraçado, o primo chato, o pai ausente, a prima gostosa, a avó carinhosa… Aos poucos fui percebendo que aquelas pessoas eram muito mais complexas. Pude ver que as relações eram dinâmicas e muito mais contraditórias do que eu algum dia poderia imaginar”.

Com realização do Sesc Rio e produção da Cia Cortejo, o espetáculo “Alice mandou um beijo” cumpre temporada de estreia no Mezanino do Espaço Sesc, de 13 de fevereiro a 13 de março de 2016, com ingressos a partir de 5 reais.

Em Três Rios, Rodrigo Portella mantém a sede da Cia Cortejo

Natural de Três Rios, município do Rio de Janeiro, o autor e diretor Rodrigo Portella dirigiu 20 espetáculos, recebeu mais de 150 prêmios em festivais de teatro nacionais e internacionais, teve duas indicações ao Prêmio Shell (RJ) 2013, Melhor Direção por “Uma história Oficial” e Melhor Texto por “Antes da chuva”, além de ser indicado ao Prêmio APTR 2010 pela iluminação de “Na solidão dos campos de algodão” de Caco Ciocler. Entre 1996 e 2008, morou na Cidade do Rio de Janeiro, período em que cursou Direção Teatral na UNIRIO, publicou o livro “Trilogia do Cárcere” e dirigiu boa parte de seus espetáculos. Em 2010, decide retornar para a sua cidade natal, onde fundou a Cia Cortejo. Paradoxalmente, é esse retorno que impulsiona com mais força sua carreira. Atualmente, é também diretor do “Off Rio – Multifestival de Teatro de Três Rios”, esse ano em sua 5ª edição.

– Meu principal interesse quando resolvi voltar, era reunir profissionais de teatro interessados em desenvolver um processo de pesquisa e produção cênica fora do eixo das grandes capitais. Montamos um ponto de cultura focado no processo de formação de atores e técnicos, criamos o Festival no sentido de promover intercâmbios e formamos uma pequena equipe de produção capaz de viabilizar financeiramente os projetos artísticos. – comenta o diretor da companhia que mantém há 5 anos sua sede administrativa e criativa no interior do Rio.

A Cia Cortejo se destaca hoje no cenário teatral do país, principalmente, pela forte afirmação como grupo de teatro profissional do interior e pelo interesse em suas raízes como ponto de partida para seus projetos. Desde o primeiro espetáculo tem investido em dramaturgias autorais desenvolvidas com a colaboração dos seus integrantes e a partir de suas referencias artísticas e pessoais. O primeiro espetáculo, “Uma história oficial”, de 2012, fez duas temporadas no Rio. O segundo, “Antes da chuva”, de 2013, estreou no Espaço Sesc, em Copacabana, teve passagem pelos maiores festivais de teatro do país, se apresentou em 96 cidades brasileiras, no Equador, na Argentina e em 2015 circulou pelo Projeto Palco Giratório do Sesc. Ambos os espetáculos foram indicados ao Prêmio Shell/RJ 2013 nas categorias melhor diretor e melhor autor, respectivamente.

Ficha técnica

Autor e diretor: Rodrigo Portella
Co-direção e Trilha Sonora: Leo Marvet
Elenco: Bruna Portella, Jose Eduardo Arcuri, Luan Vieira, Tairone Vale e Vivian Sobrino.
Iluminação: Renato Machado
Figurinos: Daniele Geammal
Cenografia: Raymundo Pesine
Projeto Gráfico: Raul Taborda
Fotos de Divulgação: Renato Mangolin
Assessoria de Imprensa: Ney Motta
Realização: Sesc Rio 
Produção: Cia Cortejo

Serviço

Sinopse: A ausência de Alice acaba por disparar uma série de acontecimentos que revelam a fragilidade das relações de uma família. 
Local: Espaço Sesc (Mezanino) – Rua Domingos Ferreira 160, Copacabana, Rio de Janeiro. Tel. 21 2548-1088
Estreia: 13 de fevereiro, sábado, às 21h
Temporada: 13 de fevereiro a 13 de março. Quinta a sábado às 21h. Domingo às 20h.
Valor do ingresso: R$ 20 (inteira) e R$ 5 (associado Sesc)
Classificação Indicativa: 14 anos
Duração: 75 minutos
Gênero: Drama

Atendimento à imprensa

Ney Motta | contemporânea comunicação
assessoria de imprensa
21 2539-2873 | 98718-1965

DEIXE UM COMENTÁRIO